Zélio nasceu em família tradicional de Neves, distrito
de São Gonçalo. Em fins de 1908, então com dezessete anos de idade, Zélio
preparava-se para o ingresso na carreira militar, na Marinha do Brasil,
quando foi acometido por uma inexplicável paralisia, que os médicos não
conseguiam debelar. Certo dia, ergueu-se no leito, declarando "Amanhã
estarei curado!".
No dia seguinte, de fato, levantou-se normalmente e voltou a
caminhar, como se nada lhe houvesse acontecido: os médicos não souberam
explicar o ocorrido. Os seus tios, padres da Igreja Católica,
surpreendidos, também não souberam explicar o fenômeno. Um amigo da família,
então, sugeriu uma visita à Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro,
então sediada em Niterói, presidida, na ocasião, por José de Souza.
Na ocasião, manifestou-se por intermédio de Zélio a entidade
que se denominou Caboclo das Sete Encruzilhadas, que anunciou a fundação
de uma nova religião no Brasil, a Umbanda. Foi fundada, no dia seguinte,
em virtude dessa manifestação, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.
A partir de 1918, por orientação da mesma entidade
espiritual, Zélio viria a fundar mais sete tendas de Umbanda:
Tenda Nossa Senhora da Guia (c. 1918)
Tenda Nossa Senhora da Conceição
Tenda Santa Bárbara
Tenda São Pedro
Tenda Oxalá
Tenda São Jorge (1935)
Tenda São Jerônimo (após 1935)
Aos 55 anos, passou a direção da Tenda Espírita Nossa
Senhora da Piedade para as suas filhas Zélia de Moraes Lacerda e Zilméia
de Moraes Cunha, já mortas. Feito isso, fundou a Cabana de Pai Antônio,
em Cachoeiras de Macacu, no estado do Rio de Janeiro.
